O feminicídio começa muito antes do fato consumado
Atenção aos sinais, porque,sempre há sinais O feminicídio não acontece de forma repentina, ele é um processo, um caminho pavimentado por pequenos atos de violência cotidiana que, por serem repetidos e socialmente relativizados, passam a ser tratados como normais, especialmente dentro da vida a dois. Ele começa quando a força aparece disfarçada de afeto: naquela segurada mais firme no braço, no tom de voz que intimida, no gesto que causa medo mas é justificado como “impulso”, “ciúme” ou “momento de raiva”. Muitas vezes, essa violência ainda é relativizada por uma frase recorrente e perigosa: “ele só faz isso quando bebe”. O álcool não cria o agressor. Ele não transforma alguém violento em outra pessoa. O álcool apenas reduz inibições e amplia comportamentos que já existem. Usar a bebida como explicação é uma forma de retirar a responsabilidade de quem agride e transferi-la para uma circunstância externa, como se a violência fosse um desvio ocasional, quando, na realidade, el...
