Michelle Obama e o Diagnóstico que Poucos Querem Ouvir


Entre elegância, lucidez e lugar de fala a ex-primeira-dama expõe a imaturidade política que ainda impede mulheres de chegarem ao topo.

Durante uma entrevista na Academia de Música do Brooklyn, onde apresentava seu novo livro, The Look (O Visual, em tradução livre), Michelle Obama soltou uma daquelas verdades que incomodam porque expõem o óbvio que muitos insistem em negar.

Não foi brincadeira, Foi diagnóstico.

Questionada pela atriz Tracee Ellis Ross sobre uma possível candidatura à Casa Branca, Michelle respondeu com sua tradicional elegância, temperada com ironia cirúrgica:
“Nem pensem em me cogitar como candidata. Vocês não estão preparados para uma mulher. Não estão mesmo.”

Não era desabafo. Era diagnóstico.
Um diagnóstico construído a partir de anos observando e enfrentando as estruturas políticas de um país que ainda hesita diante da liderança feminina, mesmo quando essa liderança se apresenta na forma de Michelle Obama.

A ex-primeira-dama é há anos mencionada como um dos nomes mais fortes do Partido Democrata. Já liderou cenários de pesquisa, já foi cotada diversas vezes, já teve seu nome circulando como solução para crises internas. E, ainda assim, precisa reafirmar publicamente que não tem interesse em disputar a presidência, porque, como ela mesma aponta, a sociedade ainda "tem muito a amadurecer" para aceitar uma mulher no comando.

Em 2024, Michelle percorreu o país em apoio à candidatura de Kamala Harris, lembrando que decisões políticas moldam diretamente a vida das mulheres, e que ignorar esse fato é um luxo perigoso.

Para nós, mulheres negras, suas palavras são mais que alerta: são espelho.
Se o mundo ainda não está pronto para o nosso poder, paciência ele que corra atrás.
Nós seguimos prontas, e avançando, não na velocidade que desejamos, mas avançando, construindo, transformando e ocupando espaços que, por tanto tempo, disseram que não eram nossos.
Texto: Raka Costa para Mulher Negra e Cia
Imagem: Internet

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