O Amor Pode Ser Traduzido, disponível na Netflix desde o último dia 16, é a prova de que nem todo romance precisa ser corrido para convencer.
A série aposta no tempo, no silêncio e na delicadeza para transformar o clichê em profundidade.
O grande acerto está justamente aí: sem exageros melosos, sem discursos fáceis, mas com uma conexão construída no tempo, no silêncio e nos pequenos gestos. É nesse lugar que a dupla principal dá um verdadeiro show.
A trama parte de uma pergunta aparentemente simples para apresentar Kim Seon-ho na pele de Joo Ho-jin, um tradutor brilhante, intelectual e financeiramente confortável, alguém que domina idiomas, mas tropeça justamente onde as palavras falham. Ao seu lado, Go Youn-jung dá vida a Cha Mu-hee e Do Ra-mi, personagens que exigem do espectador algo cada vez mais raro: paciência emocional.
Trata-se de um romance complexo, que não se apressa em agradar. E talvez seja exatamente por isso que agrade tanto. A trama compensa o ritmo, às vezes lento, com um cenário global bonito, elegante, urbano e bucólico, Canadá, Japão e Itália não surgem como simples cartões-postais, mas como extensões dos estados emocionais dos personagens.
Ah, e sim, há final feliz para o casal secundário, casal, inicialmente improvável, formado por dois personagens que, à primeira vista, não tinham absolutamente nada a ver, ainda assim, funcionou, eles são inegavelmente fofos, constroem uma dinâmica que surpreende, e sejamos justos: o mérito da fofura é muito mais dele do que dela, o que só reforça o charme desse encontro inesperado.
A verdade é que o romance continua sendo o gênero mais consumido,talvez porque, no fundo, todos compartilhamos o mesmo desejo: entender e ser entendidos para além das palavras quando o assunto é relacionamento. E isso, a série deixa claro, tradução exige disposição, escuta e comprometimento, porque ela só acontece quando há vontade real de traduzir. Não no sentido técnico, mas no mais humano: interpretar um significado, um sentimento ou uma ideia e torná-los compreensíveis para o outro.
A trama é poética, bonita e tecnicamente muito bem executada: roteiro, elenco, fotografia, direção e trilha sonora caminham em harmonia. Se há um ponto frágil, ele está na duração: a história poderia ser contada em oito, no máximo dez episódios, ainda assim, isso não compromete a entrega.
A série entrega ,e entrega muito, Nota: 10/10.
Crédito: Texto -Raka Costa
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