Movimento DNA África busca reconstruir o elo histórico apagado pela escravidão e fortalecer a identidade do povo preto
DNA África, é sobre Ancestralidade, é sobre Identidade e sobre Futuro
O Instituto Mulher Negra e Cia apresenta ao país o DNA África, um movimento que une memória, identidade e futuro para o povo preto brasileiro. Coordenado por Ruth Lopes, fundadora do Instituto, o projeto nasce como resposta ao apagamento histórico causado pela escravidão e como ferramenta de reconstrução coletiva da autoestima e da ancestralidade negra.
Mais que uma iniciativa cultural, o DNA África articula mobilização social, produção intelectual, ativismo político e políticas públicas que reposicionam a população negra no centro de sua própria história.
Um Projeto de Lei que se transforma em Movimento
Parte essencial da iniciativa, o PL DNA África foi apresentado originalmente na Câmara Municipal de São Paulo pelo então vereador Antonio Donato. Agora deputado estadual, Donato segue conduzindo o avanço da proposta na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo), fortalecendo seu caráter reparatório.
O texto do PL (Projeto de Lei), escrito pela ex-vereadora Claudete Alves e desenvolvido pelo Instituto Mulher Negra e Cia, propõe que o teste de rastreamento genético se torne uma política pública oferecida gratuitamente pelo SUS. O objetivo é permitir que pessoas negras descubram de qual região da África vêm seus ancestrais ,um direito historicamente negado após a destruição dos registros do período escravocrata pelo Estado brasileiro.
Para Ruth Lopes, o DNA África extrapola a dimensão legislativa:
“É um Movimento que convoca todas as lideranças do povo preto — evangélicos, povo de terreiro, trabalhadores, empreendedores, empresários, jovens e mulheres. No fim do dia, existe algo que nos une apesar das diferenças: o nosso DNA. É dessa força, fruto do passado, que nasce o futuro.”
Aristocrata Clube: território simbólico da memória negra
O lançamento oficial do movimento acontece no Aristocrata Clube, uma das instituições mais emblemáticas da sociabilidade e resistência negra em São Paulo. O espaço, que há décadas acolhe manifestações culturais e políticas da comunidade negra, reforça o sentido do DNA África: memória, afeto e pertencimento.
Escolher o Aristocrata como palco não é apenas simbólico — é histórico.
Evento do dia 27 reúne arte, pesquisa, empreendedorismo e ancestralidade
No dia 27 de novembro, o DNA África será apresentado ao público em um encontro que reúne artistas, pesquisadores, comunicadores, lideranças comunitárias, empreendedores, mulheres negras e juventudes que constroem diariamente a narrativa do futuro preto no Brasil.
Durante o evento, será lançado o Calendário DNA/26, que organiza as ações estratégicas do movimento para o próximo ano, incluindo:
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Feiras de empreendedorismo com mulheres negras, fortalecendo renda e autonomia financeira;
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Prêmio Mulher Negra e Cia 2026, com o tema DNA África – Raízes;
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Oficinas infantis com contadoras de histórias;
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Distribuição de livro infantil para colorir, promovendo identidade e ancestralidade desde a infância.
Cada ação reafirma o compromisso do movimento com a valorização da memória, a construção de pertencimento e a criação de futuros possíveis.
Reconstruir o elo que o Brasil tentou apagar
Ao recuperar a história interrompida pela escravidão, o DNA África devolve ao povo preto a possibilidade de reconhecer sua origem, afirmar sua identidade e reafirmar sua potência.
É um movimento de reparação, mas também de celebração: alegria, música, cores, sorrisos, encontros ,tudo aquilo que forma o tecido vivo da cultura negra.
O Brasil apagou nomes, registros e linhagens.
O DNA África surge para reconstruir esse elo.
Texto: Mulher Negra e Cia
Imagem:IA
