Autonomia não é escolha — é condição para a liberdade.

 O Preço da Dependência


Muito se fala em liberdade, muito se fala em empoderamento feminino, e com frequência,  esses conceitos são teorias longas, análises intermináveis e discursos tão rebuscados que quase nos fazem esquecer o essencial. Porque, no fim, a premissa é simples, simples e profunda: uma mulher pode perder muitas coisas na vida, mas nunca a capacidade de se sustentar sozinha.

É essa autonomia que nos permite escolher, dizer não, ir embora quando for preciso e permanecer apenas onde há respeito. No entanto, a realidade é dura, e muitas mulheres ainda são submetidas a humilhações, silêncios forçados e dependências afetivas mascaradas… tudo por causa de um “prato de comida”.

E, quando falo em “prato de comida”, entenda: isso vai do cartão black ilimitado até literalmente um prato de comida. A dependência pode ser dourada, disfarçada de conforto, de status ou de “segurança”, mas ainda assim é dependência ,e dependência sempre cobra um preço.

Vou recorrer a uma frase da Nina Simone:

“Você tem que aprender a se levantar da mesa quando o amor não está mais sendo servido.”, perfeita, poderosa e verdadeira.

Mas a sociedade patriarcal opera em outra lógica, bem mais crua: “Quem paga a conta é quem determina a hora de levantar da mesa” ,e essa dinâmica, tão naturalizada, explica por que tantas mulheres permanecem onde não há amor, respeito ou dignidade: porque a autonomia foi tirada delas ,ou nunca foi construída.

A dependência econômica aprisiona.
E ela não acontece porque uma mulher “quer”, acontece por inúmeros motivos : desigualdade, falta de oportunidade, responsabilidades familiares, dogmas religiosos, medo, crenças culturais, ausência de rede de apoio e tantas outras realidades que não cabem em julgamentos simplistas.

O intuito deste texto não é apontar o dedo, produzir culpa ou hierarquizar experiências, pelo contrário: é reconhecer a dureza de existir mulher em uma sociedade patriarcal onde sobreviver, muitas vezes, já é um ato de resistência. Mas não basta denunciar. É preciso indicar caminhos.

Liberdade também se constrói.
Começa com informação, passa pela autonomia financeira e resgate da autoestima , ganha força com redes de apoio e se amplia quando uma mulher descobre que pode e merece ocupar espaços que historicamente lhe foram negados. Por isso, este texto é, acima de tudo, um convite:  para que cada mulher, no seu tempo, com seus meios e sua história, possa buscar ferramentas para viver com mais independência, mais segurança e mais escolha.

Porque liberdade não é um destino final: é um processo e cada passo conta.

Texto: Mulher Negra e Cia
Imagem: Pinterest 

Postagens mais visitadas