Equidade racial no mercado de trabalho: um caminho urgente



No Brasil, pessoas negras ganham, em média, 39,2% menos que pessoas não negras. Mesmo com escolaridade, ocupam a minoria dos cargos de liderança e são maioria no trabalho informal. Os dados, do Dieese (2023), escancaram a desigualdade estrutural e a urgência de políticas de equidade no mundo corporativo.



Segundo Luiz Augusto Campos, professor do IESP-UERJ, o mercado de trabalho segue sendo o principal espaço de reprodução das desigualdades no país. “O Brasil tem uma desigualdade extrema de renda e oportunidades. É no mercado que essas diferenças se consolidam ou se reduzem”, afirma.


Embora algumas empresas adotem ações pontuais de inclusão, Campos lembra que isso ainda está longe de ser suficiente. “Países como Índia, EUA e África do Sul já implementaram políticas afirmativas, exigindo diversidade nas contratações. No Brasil, isso ainda engatinha.”


A desigualdade se intensifica no recorte de raça e gênero. Mulheres negras com ensino superior recebem, em média, 55% menos que homens brancos com o mesmo nível de escolaridade, segundo o Instituto Locomotiva.


Para promover mudanças reais, Campos aponta caminhos: cotas nas seleções, políticas de promoção, incentivo à formação de profissionais negros e métricas claras de diversidade.


O Instituto Identidades do Brasil (ID_BR) estima que, sem ações efetivas, a equidade racial no mercado só será alcançada em 2190. Mas também mostra que aumentar a diversidade em 10% pode elevar a produtividade das empresas em quase 4%.


Iniciativas como o Pacto de Promoção da Equidade Racial reforçam esse movimento, propondo a revisão de práticas excludentes e o acompanhamento constante dos resultados.


Campos finaliza com um alerta: “Se pessoas negras com diploma não conseguem entrar e crescer nas empresas, as cotas no ensino superior não estão cumprindo seu papel. Sem equidade no mundo corporativo, o Brasil continuará reproduzindo desigualdades.”
Por Redação:

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