Alexandre Rodrigues, o Buscapé de ‘Cidade de deus’, sonha com papéis maiores em novelas: ‘Não quero pouco’
A carreira de ator é bonita, mas muito instável. Na minha carreira ainda falta um personagem mais marcante em novela. E espero que seja a das nove, porque eu não quero pouco! — brinca ele, no ar como o garimpeiro Valdo.
Agora no horário nobre, seu personagem vai sofrer no garimpo. A trama abordará mais a fundo o trabalho escravo em áreas rurais. É que Valdo e os demais funcionários de Sophia (Marieta Severo) terão que pagar por roupas, comida e moradia que receberam durante a exploração das esmeraldas. Na prática, eles ficam devendo aos patrões e não podem sair do trabalho até quitarem tal débito.
— O bacana dessa novela é que ela está denunciando muita coisa — opina o ator, satisfeito com o papel.
A prática é uma realidade no Brasil e configura trabalho escravo. Este ano, o tema ficou em evidência porque o presidente Michel Temer afrouxou as regras que combatiam esse crime. A Justiça, no entanto, o fez voltar atrás na medida que causou polêmica.
Nem a fama em “Cidade de Deus” livrou Alexandre Rodrigues do racismo. Ele conta que vez ou outra vê alguém atravessando a rua ou segurando a bolsa um pouco mais junto ao corpo. O rapaz chega a evitar algumas peças de roupa para não ser alvo de preconceito.
— Existe, infelizmente, um estereótipo de assaltante. Para as pessoas, quem rouba é negro e se veste mal. Por isso, eu procuro estar sempre arrumadinho para não sofrer preconceito — conta Alexandre
Os temas políticos estão marcados na carreira do ator. Ele afirma, no entanto, que não escolhe personagem:
— Sou geminiano, cara. Não consigo decidir (risos).
Arrependimento, porém, Alexandre só tem um: quando assinou o contrato para “Cidade de Deus”, precisava escolher se receberia R$ 10 mil garantidos ou uma participação nos lucros. Sem imaginar o tamanho do sucesso que viria, optou pelo mais seguro:
— Para quem não tinha nem um real, R$ 10 mil é coisa pra caramba. Eu vivi quase um ano com esse dinheiro.




