Comissão do Senado aprovou nesta quarta feira( 09) porte de arma para mulher com medida protetiva
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"Armas e Ausências” |
A casa deixou de ser lar e passou a ser arena. Amor virou cautela. E proteção virou pólvora.
O que dizem as estatísticas? Que a maioria das mortes de mulheres ocorre dentro de casa, por mãos conhecidas, muitas vezes amadas. E agora, essas mãos terão sua contraparte armada, também conhecida, talvez igualmente amada. Porque é isso que o projeto propõe: o duelo institucionalizado entre o abandono e o desespero.
Não se discute o medo dessas mulheres. É legítimo. O que se questiona é a resposta. Dar uma arma a uma mulher em risco não é proteção. É renúncia. É o Estado dizendo: “Estamos cansados de tentar. Boa sorte.”
E nesse faroeste moderno, a bala não é solução. É só mais um sintoma da tragédia. É o som do silêncio estatal estampido por estampido. É a falência estampada em cartório.
No fim, não resta muito mais que um eco amargo: se a saída é o gatilho, o que dizer das portas que nunca se abriram?
Talvez, um dia, a mãe gentil Brasil, acorde e entenda que proteger não é armar, é amar, é amparar. é estar presente.
Mas até lá, boa sorte. E, por favor, mire com cuidado.
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