O Brasil odeia meninos negros.
Sim, o Brasil odeia meninos negros, de “professor” de Capitães da Areia, a Caniço de Toda Fúria, de meu “Guri” cantado por diversos poetas e imortalizado na voz de Elza Soares. A cada 23 minutos, esses meninos são retirados de circulação, seja de forma temporária ou definitiva. Não há espaço para corpos racializados serem lidos como gente em uma país que se fundou na escravização e mantém através da violência e das múltiplas formas de racismos. O Brasil, ou melhor, parte dele, o tal elitizado e que só existe porque explorou e violentou corpos como os parecidos como o de Davi, odeia meninos negros, sobretudo, desses que não se dobram, e sabe o por quê? Porque eles incentivam outros meninos negros a sonharem, a deslocar o lugar social de subserviência que foi projetado para ele estar. Os Davis, insubmissos, aqueles que dizem, assim como foi dito lá atrás pela Cristiane Sobral que não iria mais lavar os pratos, são os que irão dizer, não vou mais lavar suas calçadas, lavar os seus carros, ser objeto de humilhações. E isso é tão real que o apresentador resgatou o discurso eugenista da década de 20 para dizer que o oponente do Davi era educado e boa gente porque era branco.
O medo da revolução negra se instaura e vem de um menino de 21 anos, negro, baiano, filho de Cajazeiras… Se Davi não for campeão, sabemos a razão… Em tempo, isso não é sobre BBB, é sobre o Brasil contemporâneo e sua marca colonial.
Sara Araujo
Colunista Portal Frente Negra Online
Socióloga (UEM)
Graduada em Direito
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Socióloga (UEM)
Graduada em Direito

